quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Além da Fronteira

 Além da Fronteira

Os atores Michael Aloni e Nicholas Jacob.

Os atores Michael Aloni e Nicholas Jacob.

O longa-metragem de estreia Além da Fronteira,do diretor Michael Mayer, expõe um pouco como é ser gay e ter um enlace amoroso com seu inimigo político, ideológico e religioso, escolhido pra si bem antes de nascer. Roy (Michael Aloni), o charmoso e belo judeu que trabalha como advogado e Nimr (Nicholas Jacob), o bonito e boa praça estudante palestino de psicologia, se conhecem numa boate em Tel Aviv. Logo eles se apaixonam e terão que lutar pra continuarem juntos. Talvez haja uma falta de química entre os dois atores, apesar do Michael Aloni conseguir atuar de uma forma mais verdadeira e consistente. O diretor israelense poderia ter trabalhado mais o lance da intimidade e cumplicidade entre eles. Já o roteiro possui alguns furos. Nada que comprometa a boa história ou a agilidade da narrativa.

Atravessar a fronteira não é um simples ato pra nenhum dos lados. Demanda autorização, checagens. Nimr dá escapadelas à noite do território palestino para Tel Aviv em busca de diversão. Na boate gay, ele se diverte sem maiores preocupações. A vivência de tudo isso acaba fazendo-lhe descobrir um pouco mais sobre si mesmo. A sensação de passar incólume reforça a coragem e a força de buscar plenitude. Sem que Nimr saiba, a agência de segurança de Israel está o monitorando, assim como todos os outros que transitam e/ou habitam naquele território. Ser gay em Israel não é bom, porém, na Palestina, significa ser condenado à morte ou ser renegado pela família, que cairá em desgraça, se alguém o souber. Em todos os países árabes, mesmo que não haja uma legislação sobre o tema, a tolerância é praticamente nula. Nimr sabe o risco que corre. Quando consegue licença para frequentar mestrado em Tel Aviv é como se uma porta abrisse. Seu irmão Nabil (Jameel Khouri), não gosta da ideia, pois seu lance é o confronto armado, a violência como meio de obter o que se deseja e que não é permitido. Mas de alguma forma ele admira inteligência de Nimr.

Nimr e seu irmão Nabil

Nimr e seu irmão Nabil

No decorrer do filme a tensão entre os irmãos só cresce. Teremos violência versus educação e direitos humanos. Nabil acha que ao ser violento fará com que o outro se intimide  e aceite as condições que lhe forem impostas num cenário onde tudo e todos são vigiados, muitas vezes até chantageados em prol do padrão desejado de comportamento.

Quando as coisas apertam, em termos de perseguição, Nimr pensa em deixar o território palestino de vez e ir em direção a Europa. Seu namorado dá uma negativa. Aquela terra tem muito significado e não seria fácil deixá-la pra trás. A Agência de Segurança segue apertando o cerco e não deixará nenhum deles em paz até conseguir o que deseja; matá-lo. A única alternativa que sobra ao jovem psicólogo é matar ou morrer. Seus ideal de vida não comporta a política praticada por nenhum dos dois lados. E assim se vê fadado ao exílio. O final em aberto do filme defende o argumento de que nem tão cedo teremos um desfecho positivo para qualquer um dos lados, uma vez que nem judeus, nem palestinos demonstram disposição pra negociarem em prol da paz.

BEM NA FITA:  boa direção, bons atores, roteiro envolvente e agilidade de narrativa.

QUEIMOU O FILME: o roteiro possui alguns furos.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Além da Fronteira (Out in the Dark)
Direção: Michael Mayer
Roteiro:Yael Shafrir, Michael Mayer
Elenco: Alon Pdut,Jamil Khoury, Khawlah Hag-Debsy,Mustafa Na’amne, Michael Aloni,Nicholas Jacob
Edição: Maria Gonzales
Fotografia: Ran Aviad
Música: Ian dos Anjos, Begê Muniz
Produção: Mark Holden & Michael Lopez
País: Israel / EUA / Palestine
Gênero: Drama
Duração: 1h 36min
Ano: 2013


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

UM estranho no lago

Um Estranho no Lago | Crítica

Suspense verdadeiramente hitchcockiano restabelece o sentido do voyeurismo, cenas de sexo gay explicito e muito nu frontal! 

Um Estranho no Lago

Um Estranho no lago

Por Magno Martins

O filme francês Um Estranho no Lago, dirigido por Alain Guiraudie, mostra um universo gay muito diferente, lúdico até por demais. A história gira em torno de um lago, onde diversos homens gays vão para curtir um espaço de nudismo. Sim, neste filme, homens são mostrados com nu frontal. Nada demais com relação à isso, afinal, o nu tem sua importância, sim, e muitas pessoas procuram filmes de temática GLBT para apreciar também corpos nus de atores e atrizes.

Não há problema algum com relação ao nudismo do local, porém a forma com que a história foi abordada no filme realmente deixou a desejar. No filme, homens vão para “caçar” e cenas de sexo explícito entre os frequentadores do  local são mostradas. O primeiro deslize do diretor talvez tenha sido não se posicionar de forma eficiente entre o erótico e o teor sexual, puramente.

Por Marcelo Hessel 

Alfred Hitchcock teria dificuldade de fazer seus suspenses atualmente porque hoje tudo é voyeurismo, e um senso de perigo se perdeu nos nossos tempos, com a banalização do olhar e o fim da privacidade. Diante de um filme como Um Estranho no Lago (L'Inconnu du Lac), porém, talvez o mestre das ameaças e do pudor considerasse que nem tudo está perdido.

A trama se passa em uma única locação, um lago na França onde gays tomam sol e se banham à procura deparceiros. O flerte acontece na beira da água e o matagal atrás do lago permite um mínimo de intimidade para transas rápidas. Franck (Pierre Deladonchamps) não parece temer o contato com estranhos - o que fica dito quando ele conta para um cara que não anda com camisinha. Ao assistir a um assassinato no lago, porém, Franck passa a ver as coisas diferentemente.

Longas do diretor francês Alain Guiraudie, como O Rei da Fuga e este Um Estranho no Lago, partem de premissas policiais para lidar com a criminalização dos gays - um anacronismo que persiste em pleno século 21 - mas sem tornar isso um panfleto. Na verdade, no exercício de fazer de Um Estranho no Lago um suspense pura e simplesmente, Guiraudie consegue tratar do flerte enquanto risco, e do sexo enquanto aventura, sem incorrer em qualquer juízo de valor.

É como um microcosmo do mundo de hoje que o lago primeiro se apresenta, um lugar onde todos se exibem e se observam, bovinamente, sem pudor e sem anonimato. Guiraudie recorre ao crime não só para restabelecer um sentido de voyeurismo mas principalmente de perigo. E como nos melhores suspenses, a ameaça em Um Estranho no Lago é absolutamente física, presente, ainda que não esteja sempre à vista, e daí vem a atração que ela exerce, como um corpo apolínio que sai da água devagar, banhado em contraluz.

Não há clichê mais mal utilizado do que dizer que tal filme é hitchcockiano, mas isso sem dúvida se aplica a Um Estranho no Lago. O cenário de Guiraudie é falsamente plácido como a Bodega Bay de Os Pássaros ou o condomínio de Janela Indiscreta, e a partir do momento em que um crime macula essas paisagens harmônicas elas incorporam a violência - no filme francês, as árvores se agitam violentamente com o vento e até uma correnteza parece afligir o lago.

Filho de fazendeiros, o diretor francês não deve ter passado pela mesma formação católica traumatizante do cineasta britânico, mas, como nos filmes de Hitchcock, o perigo em Um Estranho no Lago vem acompanhado de um senso cristão de moral e culpa, que Guiraudie automaticamente questiona. Quando um detetive interroga Franck sobre o assassinato, não esconde a reprovação:"Como vocês conseguem voltar aqui depois do que aconteceu?". Franck dá uma resposta absolutamente francesa - "não podemos parar de viver" - mas no fundo talvez essa seja mesmo a única resposta possível.

Voltando para a história, o filme começa até que bem, focando principalmente na amizade entre Franck (Pierre Deladonchamps) e Henri (Patrick d’Assumçao). Franck começa a frequentar o local em busca de um parceiro. Henri, que já vivenciou experiências homossexuais, não se considera gay e frequenta o local para ver o tudo o que acontece. A amizade entre eles cresce cada dia mais, chega até a ser bonitinho, pois Henri foge totalmente dos “padrões e estereótipos” do mundo GLS e Franck é do tipo bonitão que todos desejariam ter pelo menos uma transa. Por um momento, seria até interessante se eles se envolvessem, mas a história toma outros rumos.

Ao presenciar um crime, Franck percebe que aquele lugar é muito perigoso para qualquer um. Essa é uma das partes mais intensas de todo o filme. No decorrer da trama, Franck se apaixona por Michel (Christophe Paou), o criminoso responsável pelo ato. A partir daí, a história entre Henri, Franck e Michel se entrelaça de uma forma arrastada, chegando a cansar toda uma história contada em apenas 97 minutos de filme.

Cinemascope---Um-Estranho-no-Lago-PôsterUm Estranho no Lago (L’inconnu Du Lac)

Ano: 2013

Diretor: Alain Guiraudie.

Roteiro: Alain Guiraudie.

Elenco Principal: Pierre de Landonchamps, Christophe Paou, Patrick d’Assumcao.

Gênero: Drama

Nacionalidade: França

 

 

 

Veja o trailer:

"Amor sem Pecado" (Adore - 2013)

Nós assistimos, "Amor sem Pecado" (Adore - 2013)


Existe uma peculiaridade nos filmes com teor mais polêmico. Alguns são, descaradamente, feitos para chamar a atenção do público e não tem nenhum conteúdo proveitoso, e existem alguns que são polêmicos, porém, trazem consigo uma carga de realidade que nos envolve, como acontece em “Amor sem Pecado” que causou um pequeno alvoroço ao ser divulgado. Anne Fontaine, diretora de filmes como “O preço da Traição” e “Coco antes de Chanel” comanda essa forte e diferente história de paixão entre dois casais. Vale lembrar que o filme é uma adaptação da obra "Two Grandmothers" da escritora vencedora do Prêmio Nobel, Doris Lessing.




Lil (Naomi Watts) e Roz (Robin Wright) vivem num lugar um tanto paradisíaco, à beira do mar, com seus filhos Ian (Xavier Samuel) e Tom (James Frecheville), respectivamente. Logo no início da fita, Lil perde seu marido e acaba vivendo sozinha com o filho, enquanto Roz continua casada. A cada cena fica fácil perceber o quão amigas elas são, a ponto de muitos as confundirem com lésbicas e julgar um caso amoroso entre as duas. Na verdade, a amizade entre elas é algo fortíssimo e o filme consegue passar isso tranquilamente e, inclusive, consequência dessa amizade é a relação entre seus filhos, grandes amigos que cresceram juntos. 

 Em determinado ponto, uma cena já começa aflorar no espectador um pensamento que viria a acontecer: enquanto os rapazes estão surfando, as duas mães estão na praia observando-os e verbalizando a admiração pelos jovens. Numa noite qualquer, depois de um jantar, Ian acaba dormindo na casa de Roz e, num impulso, acabam se envolvendo e, nessa mesma sequência, Tom descobre tudo. Um tanto revoltado, Tom resolve contar a Lil sobre o que viu e a mesma hesita em acreditar. É aí que aparece um ponto chave da história. Lil e Tom também se envolvem, mas neste caso, parece que, simplesmente, por vingança.



O ponto positivo do filme é que ele não é arrastado, não há ‘rodeios’ e até a metade do filme tudo parece já ter acontecido. Na verdade, não. Nas primeiras relações tudo já é esclarecido entre os personagens que, mesmo sabendo da estranheza da situação, decidem continuar, já que as mesmas se julgam felizes com aquilo. Dois anos depois, tudo parece tranquilo até que Tom vai à cidade a trabalho e acaba conhecendo uma jovem, com quem, inevitavelmente, se envolve. Lil se sente insegura e a relação dos dois se abala causando desconforto, também, ao outro casal e Roz, numa atitude madura, decide parar com todo o romance. Algum tempo passado, Ian e Tom se casam com suas respectivas noivas e Lil e Roz se tornam avós. Mesmo com toda essa áurea familiar entre eles, em certo momento Ian descobre que Tom ainda se envolve com sua mãe. Eis mais um tenso capítulo da história que traz um final excitante.

Como comentado no início, o filme causou certo ‘barulho’ inicialmente, porém, não há nada de apelativo nele. A história envolve uma paixão carnal entre personagens e ficaria vazio se não houve uma ou outra cena mais forte, o que não atrapalha seu desenvolvimento e não causa polêmica excessiva.

Falando um pouco sobre os pontos técnicos, não posso deixar de citar a incrível fotografia do filme. A beleza visual é perceptível em toda a projeção e isso dá um toque a mais no filme, além das cenas bem filmadas e ângulos coerentes e precisos. Somando a essa beleza técnica temos as interpretações. Particularmente, sou fã de carteirinha da bela Naomi Watts, mas não vou enchê-la de elogios, apesar de ela os merecer. Watts e Wright são veteranas e dão show na atuação. São excelentes e dignas de profunda admiração. Os dois jovens, no entanto, apenas cumprem seus papéis e, apesar de ofuscados pelas ótimas atrizes, mantêm um equilíbrio na tela.
















A estreia foi no o dia 01 de novembro, “Amor sem Pecado” é um filme que, com certeza, não vai agradar a grande maioria, mas devo dizer que, é sim, um excelente trabalho da diretora Anne Fontaine. A força da paixão e o desejo que vencem o medo dos olhares alheios. A entrega a um amor que é mais forte do que as aparências. 




NOTA: 7



Título original: "Adore"
Lançamento: 06 de Setembro de 2013 (EUA)
                        01 de Novembro de 2013 (Brasil)
Direção: Anne Fontaine
Elenco: Naomi Watts, Robin Wright, Xavier Samuel, James Frecheville.
Fonte: Minha visao de cine Blog

'O Mordomo da Casa Branca


Parte da critica é de RICARDO CALIL CRÍTICO DA FOLHA e outras dos amantes da cultura
Ouvir o textoA primeira coisa que chama atenção em O Mordomo da Casa Branca é seu título original: Lee Daniels The Butler. Com apenas três longas em seu currículo de diretor (entre eles, Preciosa, de 2009), Lee Daniels se considera maduro e relevante o suficiente para batizar um filme.


Baseado livremente em uma história real, o filme acompanha Cecil Gaines (Forest Whitaker), mordomo que serviu presidentes americanos, de Eisenhower (1953-61) a Reagan (1981-89), durante três décadas.


Divulgação
Forest Whitaker em cena do filme 'O Mordomo da Casa Branca', de Lee Daniels
Forest Whitaker em cena do filme 'O Mordomo da Casa Branca', de Lee Daniels

O filme se alterna entre a vida profissional de Gaines e a vida pessoal a escravidão na infância, o casamento com uma mulher que por tanta solidão acaba tornando-se alcoólatra (Oprah Winfrey)



e a relação conflituosa com o filho mais velho (David Oyelowo).




Este último é o ponto central do filme. Enquanto Gaines passa a vida a servir seus patrões brancos, o filho Louis engaja-se na luta pelos direitos civis dos negros.

As situações parecem se suceder só para reforçar didaticamente esse contraponto entre dois estereótipos, o do negro submisso e o engajado. 

os atores reunidos em papeis secundários: Robin Williams como Eisenhower, John Cusack como Richard Nixon, Jane Fonda como Nancy Reagan
Oprah Winfrey como a esposa bêbada do mordomo que aprende a superar muitos obstáculos para estar ao lado do marido.  Assistimos ao filme com o coraçao    sereno e a mente sobressaltando-se a em vários momentos, com cenas que nos fazem relembrar momentos cruéis e cruciais da historia. 

O longa tem boa caracterizacao, fotografia, e iluminação, só nao gostei do figurino!

O longa faz uma passagem "como um documentário" sobre vários pontos importantes da historia política do País, O resultado dessa mistura de novela, história, pretensão, preconceito e elenco estelar não poderia ser outro: o filme é forte candidato ao Oscar.

O MORDOMO DA CASA BRANCA
DIREÇÃO Lee Daniels
PRODUÇÃO EUA, 2013
ONDE Playarte Bristol 4 e circuito
CLASSIFICAÇÃO* 14 anos
AVALIAÇÃO bom


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

BOLA 8 (8 – Pallo, Finlândia, 2013)

BOLA 8 (8 – Pallo, Finlândia, 2013)

Diretor: Aku Louhimies.

Elenco: Jessica Grabowsky, Eero Aho, Pirkka-Pekka Petelius, Mikko Leppilampi.

Curiosidade: O finlandês Aku Louhimes é um freqüentador da competição do Festróia e, com um novo filme na bagagem, era inevitável a sua presença nesta edição do festival de cinema de Setúbal.

Num comum thriller social e político, mas com muito boa edição, que o torna interessante, Pike (Jessica Grabowsky) ex-detenta com histórico de prostituição e abuso de drogas, teve uma relação doentia com um traficante. Por isso, quando Bola 8 começa realmente, não se admira sua saída da prisão com uma criança nos braços. Atenção na direção focada em mostrar que o sistema social funciona na Finlândia e, por isso, Pike tem direito a moradia e apoio financeiro do estado, enquanto lhe tentam arranjar trabalho.

Bola 8 é a tentativa de Pike redirecionar sua vida. Para isso, a bola 8 de snooker que ela coloca dentro de uma meia é uma metáfora entre a vida e o jogo, escolha e decisão, e uma escolha já é feita ao utilizar tal objeto como um meio de se sentir segura. Paralelamente a isto, um policial com um passado obscuro e o seu novo companheiro, traumatizado após sofrer facadas em campo, se envolvem de formas diferentes no caso de Pike.

8 pallo menor

De inicio parece mais um filme fatalista onde o fim esperadamente trágico, parece ditar todo o desenrolar da trama, mas não, ele não é óbvio assim. Atenção ao número de seguro social, dígito 8 e este também simbolizar o infinito.

A direção, edição e fotografia preocuparam-se em transportar o telespectador aos sentimentos e sensações vividos pelos personagens, principalmente a personagem central, Pike, e isso acontece logo na primeira cena do filme, como um retrato de sua confusão mental. O genial é como a tomada nos inclui na sua mente abusada.

Pike é totalmente dependente de seu amante/ algoz e sua postura de extrema submissão favorecem maiores abusos. A cena onde Pike é estuprada, drogada e espancada pelo pai de sua filha, fez-me notar, através de sua expressão lívida, suas olheiras profundas e seu incrível olhar penetrante, o quanto suas mazelas do corpo interferem em sua mente e consequentemente, na nossa.

O filme não tem ritmo, o papel do policial ajudante do então mentor de Pike, que deveria ter um maior envolvimento da trama não funciona, enquanto seu parceiro, uma espécie de psicoterapeuta policial, se sobressai.

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Os três personagens centrais tem em comum a tentativa de lidar com suas vidas pós-traumas. O policial que mantém relação com os detentos, ex-detentos e viciados, mais parece se encaixar numa vida fora da normalidade, fica subentendido então, que ele já foi usuário ou sofreu as consequências deste mal e especialmente por Pike, ele desenvolve uma relação mais profunda.

É um thriller social, policial e gélido, a frieza é mostrada nas cenas de total solidão de uma ex-presidiária com histórico de abuso de drogas, de um policial recém-separado e ainda abalado por sua experiência de quase morte e de um solitário homem, já idoso, procurando alento ao ajudar os desajustados que mais se ajustam ao seu sentido de realidade.


Ain't Them Bodies Saints (Ainda sem titulo em Português)

Ain’t them bodies saints

O amor que resiste ao tempo e à distância é a atração de ‘Ain’t them bodies saints’, drama estrelado por Rooney Mara e Casey Affleck

por Raphael Moroz

Em uma das cartas que escreve para a esposa, Ruth, Bob afirma que está prestes a tocar em suas bochechas novamente. Quatro anos os separam. Um crime – cometido por ela e atribuído a ele – os separa. A distância os separa. Mas não por muito tempo. “Logo irei encontrá-la”, escreve ele no final da carta.

Ain't them bodies saints

Ruth e Bob, sensivelmente interpretados por Rooney Mara e Casey Affleck, formam o tipo de casal cuja paixão parece não esfriar nunca. Você já deve ter visto casais assim. Casais que, por mais que vivam às turras, não conseguem se separar. Casais que prometem permanecer juntos para sempre, e que realmente permanecem, aconteça o que acontecer. ‘Ain’t them bodies saint’ (algo como “Seus corpos não são santos”, o filme ainda não possui título em português) é sobre esse tipo de amor. 

Ain't them bodies saint

Ambos criminosos, Ruth e Bob estão prestes a ter um filho. Um tiroteio entre o casal e alguns policiais, no entanto, inverte os planos dos dois: Ruth acaba atirando em um dos oficiais e Bob toma a culpa para si. Ela sai livre; ele, não. Aprisionado em um estado norte-americano que não é o seu, Bob passa a conversar com a esposa somente por meio de longas e sinceras cartas. Em todas elas, ele deixa claro que nunca a abandonará.

Ain't them bodies saint

Em uma das inúmeras tentativas de fuga que realiza, Bob consegue escapar. O filme retrata toda a trajetória do criminoso até o encontro com Ruth, mas seu maior mérito é esmiuçar os sentimentos que os dois nutrem diante da distância que lhes foi imposta. Bob – como você já deve ter percebido – venera a esposa. Suas belas cartas, repletas de sinceridade e sensibilidade, demonstram que o amor que ele sente é intransponível e insuperável. A recíproca é verdadeira: Ruth também mantém o amor pelo marido em uma redoma, bloqueando-se para possíveis relacionamentos amorosos. Ela até se dispõe a abrir o seu coração para Patrick (Ben Foster), um policial dos arredores que participou do tiroteio que ocorreu há quatro anos, mas a relação dos dois não evolui da amizade. 

Em ‘Ain’t them bodies saint’, há, ainda, uma trilha sonora que potencializa toda a melancolia que a separação abrupta causou à Bob e Ruth. Ora silenciosas, ora movimentadas, as melodias andam conforme o ritmo da narrativa, que é, na maioria das vezes, lento. Mesmo assim, o interesse em saber como será o encontro de Ruth e Bob se mantém até o final do filme.

Ain't them bodies saints

Nota do editor: ‘Ain’t them bodies saints’ foi selecionado na mostra competitiva do Festival de Sundance em 2013 e chegou aos cinemas americanos em agosto. Apesar de ainda não ter estreia nacional prevista, você pode assistir ao longa em casa baixando no nosso Gdrive!




Ja saiu a lista dos indicados ao Oscar 2014

http://www.facebook.com/amacult/posts/640847989313122:0

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

OS SUSPEITOS

NÓS ASSISTIMOS,
Os Suspeitos começa com o “Pai Nosso” rezado por Keller Dover (Hugh Jackman), para encorajar o filho a matar seu primeiro animal durante uma caçada. Ao longo da história, outros Pais Nossos serão rezados, geralmente antes ou depois de cenas de violência. Deus será invocado diversas vezes, justificando as decisões controversas de cada um, enquanto terços estão pendurados nos pescoços dos personagens, nos retrovisores dos carros, e mesmo na tatuagem dos policiais. Sem mostrar igrejas, este suspense é marcado, do início ao fim, pelo conflito entre a justiça dos homens e a justiça de Deus.

Uma inocente cena de dia de Ação de Graças quando um casal vai pra casa de outro casal amigo da vizinhança para comemorar o dia e as filhas (crianças) desaparecem misteriosamente.
 Um suspeito (Retardado) (Paul Dano) é detido pela policia e logo inicia-se o frenesí do filme, a história vai se desenrolando de uma maneira dubia em que ao mesmo tempo que se sente dó de um dos pais (Hugh Jackman), sente-se uma certa raiva por ve-lo tentar fazer justiça com as próprias maos quando ele sequestra e tortura o suspeito retardado das cenas iniciais.
O segundo pai (Terrence Howard) acaba se envolvendo no sequestro do suspeito digamos que inocentemente e por n suportar além da dor do sumiço da filha e o desespero de saber queesta compactuando com o sequestro do suspeito, acaba contando a esposa, quevai onde esta o suspeito/vitima para tentar convence-lo a dizer o de esta sua filha.
A cena é surreal, de tirar o folego quando ela tira o pano q esta sobre a cabeça do rapaz e podemos ver o estrago que foi feito após muitas horas de surra. Ela com dó dele e obviamente pensando também em reaver a filha acaba tirando as algemas dele que.... (.......)
E as cenas vao crecendo,o de vemos Keller Dover (Hugh Jackman) ficar cada vez mais frio e vingativo ao construir um cubiculo para ter mais poder de tortura sobre o sequestrado.
Enquanto Franklin (Terrence Howard) está cada vez mais tentando se afastar do problema criado pelo amigo.
Em certo momento do filme as coisas vao tomando outros rumos, isso mesmo, OUTROS RUMOS e cada vez mais nao conseguimos nos mover ou desviar os olhos da tela. A história é tao boa e pertinente que mal prestamos atençao no figurino, arte, caracterizaçao, iluminaçao e trilha sonora ( Que eu nao deicei passar por ser da area e cobro muito isso).
O detetive (Jake Gyllenhaal) que nos passa a imagem de inexperiente e desatento, surpeende com sua perspicacia e paciencia.(o tique que ele tem nos olhos é sinal evidente de que é um estressado controlado.
Enquanto isso... O suspeito/ sequestrado ainda esta lá, sendo torturado. 
E o detetive continua sua busca pelas crianças abordando um novo suspeito que... Em sua nova abordagem se depara com várias cases trancadas com cadeados na casa do suspeito que também tem cara de retardado.

A cena das cases, essa me fez ter panico por conta do conteúdo! 
Até que em umas das cases peças de roupas e Desenhos das meninas sao encontradas,
Entao pensamos q é o fim.
Mas ai da tem a cena inesperada na sala de interrogatorio quando o "paciente" detetive perde a compostura e causa um baita estrago comprometendo boa parte da investigaçao, e quando pensamos que era o final filme nós  vemos como se tivessemos começando, pois Alex, o sequestrado da a dica sobre um labirinto onde possivelmente estao as meninas. Labirinto esse que o outro suspeito retardado estava desenhando la na sala de investigaçao antes do Sr. Paciencia perder a paciencias (rs).
E como voltamos ao inicio das investigações e o filme ja esta no final, as conexoes começam a aparecer e uma das crianças também, (ufaaaaaaa, tensão nível Jedy)  e após Donovan ouvir de Joy no hospital que ele esteve no local onde ela e sua filha estavam sequestradas, ele sai em disparada achando que ia ser facil recuperar a filha. Os momentos angustiantes sao requintados, sofríveis intermináveis e inimaginaveis. Uma frase bem comum descreve esse momento do filme; " O poste agora é quem urina no cachorro). Pois ele também vive na pele a agonia do sequestro.
E a musica de suspense avança e posso afirmar, o suspense é imenso e as cenas que se seguem nos deixam cada vez mais apopléticos, apavorados e quase sem respiraçao! (ufaaaa, novamente)), so acho que a cena em que ele o Sr Paciencia entra no hospital pedindo socorro poderia ter tido um corte melhor, pois foi interrompida de uma maneira brusca (Nao gostei), depois de tanta agonia, tanto desespero e corre corre um corte grotesco em uma cena que merecia um apelo maior, ja que o longa todo é apelativo.
Segue o seco... E...  Temos o Grand Finale... Uma cena em que buscas estao sendo feitas no local, aquele para onde o Keller correu ao ouvir a menina (Joy) dizer que ele tinha ido! (Lembra??) pois é... Depois me diz o que voce achou do filme e do final??? 
E quanto os " retardados"?



 




domingo, 8 de dezembro de 2013

DEPOIS DE LUCIA

NÓS ASSISTIMOS E NOS SURPREENDEMOS COM ESSE FILME, QUE NOS MANTEM LITERALMENTE COLADOS A POLTRONA E FAZ COM QUE NOSSA RESPIRAÇAO NAO SIGA O COMPASSO.

Tessa Ia em cena. Não há música no filme: cada gesto, cada movimento vem acompanhado apenas de seus próprios e pequenos barulhos - 

Depois de Lúcia, segundo filme do mexicano Michel Franco, recebeu o prêmio Um Certo Olhar, no Festival de Cannes, e teve cerca de 1 milhão de espectadores no México. O mais simples seria dizer que estamos diante de uma obra sobre assédio escolar, o tristemente famoso bullying. O próprio diretor reconhece que parte de seu processo criativo consistiu em entrevistar estudantes que sofreram a traumática experiência. No entanto, o longa se revela muito mais do que isso.

A história gira em torno de Roberto (Hernán Mendoza) e Alejandra (Tessa Ia), pai e filha, depois da morte de Lúcia, a esposa e mãe, num acidente de carro. Com o intuito de reconstruir a vida, os dois se mudam da litorânea Puerto Vallarta para a Cidade do México. Roberto é chef, e Alejandra, aluna do ensino médio. São o que se costuma definir como uma família pequeno-burguesa. Para a menina, o novo cotidiano se transforma numa sucessão de humilhações na escola, tão degradantes que podem causar insônia nos espectadores com filhos nessa faixa etária. É fortíssima, por exemplo, a cena em que os colegas a obrigam a comer um bolo de fezes, QUE NOS CAUSA UM IMENSO EMBRULHO NO ESTOMAGO.
Em diversos momentos da narrativa, fica difícil acreditar que uma pessoa – mesmo uma garota que acaba de perder a mãe e sofre chantagem – consiga tolerar semelhantes vexames sem se revoltar. Mas a realidade mostra que absurdos dessa natureza acontecem, e é o que Michel Franco parece querer dizer acima de tudo: a crueldade e a capacidade de tolerá-la na adolescência não conhecem limites.
 Seguindo rumos inesperados e uma direção eficiente Michel Franco, Depois de Lúcia se mantem com ótimo desenvolvimento e um roteiro vibrante, que ao lado de atuações convincentes tornam o filme  uma obra admirável do principio ao fim, pois é justamente em seu final que o filme reúne grandes motivos para ser chamado de uma imperdível obra prima.Trailer Aqui.


Vocação intimista
Sob o ponto de vista formal, Depois de Lúcia estabelece dois desafios que talvez exasperem o público mais convencional. O primeiro é o uso preponderante do plano fixo, um recurso que alcança excelentes resultados, especialmente nas cenas que se passam dentro de veículos. Numa delas, muito sugestiva, Roberto desce do carro e a câmera – parada no interior do automóvel – não exibe o que ocorre na rua, criando a ilusão de um ponto cego e nos fazendo pensar em como se deu o acidente de Lúcia. O segundo desafio é a ausência de música: cada gesto, cada movimento vem acompanhado somente de seus próprios e pequenos barulhos.
O resultado é uma narrativa tensa do princípio ao fim, que produz uma sensação permanente de angústia. Um drama que ameaça virar thriller, mas que não o faz porque nunca abdica de privilegiar sua vocação intimista.
O mexicano Juan Pablo Villalobos é autor do romance Festa no Covil.
O filme: Depois de Lúcia, de Michel Franco. Com Hernán Mendoza, Tessa Ia, Gonzalo Vega Jr. e Tamara Yazbek. Estreia neste mês.